O discurso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na abertura da 4ª Sessão Legislativa da 57ª Legislatura, nesta segunda-feira (2), apresentou um balanço das ações governamentais com forte ênfase nos resultados econômicos e nos investimentos, especialmente nas áreas de infraestrutura, agronegócio e tecnologia.
Cenário econômico
Ao relembrar o cenário inicial de 2025, descrito como marcado por projeções negativas, o presidente afirmou que os resultados foram opostos ao esperado, obtendo um resultado positivo, e destacando que o Produto Interno Bruto cresceu pelo terceiro ano consecutivo, o dólar registrou a maior queda em nove anos e a bolsa de valores avançou 34%, ultrapassando 160 mil pontos.
Segundo a mensagem, o país recebeu 77,7 bilhões de dólares em investimentos estrangeiros, consolidando-se como o segundo destino mais atrativo para capital externo, enquanto o desemprego caiu para 5,2%, a renda média atingiu R$ 3.574 e a inflação ficou em 4,26%.
No campo do comércio exterior e da inserção econômica internacional, o presidente destacou a conclusão do Acordo Mercosul-União Europeia após 25 anos de negociações, ressaltando que o bloco reúne cerca de um quarto do PIB mundial e uma população de 720 milhões de consumidores.
O discurso de Lula também mencionou o enfrentamento das tarifas impostas pelos Estados Unidos, a criação do Plano Brasil Soberano para apoiar empresas e preservar empregos, a abertura de 521 novos mercados e a reabertura do mercado norte-americano a produtos brasileiros. As exportações atingiram US$ 348,7 bilhões em 2025, com total acumulado de US$ 1,03 trilhão.
Infraestrutura nacional
O discurso destaca três iniciativas estruturantes relacionadas à integração territorial e ao fortalecimento da infraestrutura nacional. A entrada em operação do Linhão Manaus–Boa Vista foi apresentada como um “marco histórico” por integrar o último Estado (Roraima) ao Sistema Integrado Nacional, sendo associada ao desenvolvimento sustentável da Amazônia. O presidente também mencionou os avanços no projeto de integração do Rio São Francisco, informando que o ramal do Apodi alcançou 93% de execução física e que a obra levará água ao oeste do Rio Grande do Norte.
Ainda no campo logístico, o presidente registrou a primeira viagem com carga comercial da Ferrovia Transnordestina, em fase de testes, transportando milho ao longo de um trecho de 585 quilômetros entre Boa Vista, no Piauí, e Gatuna, no Ceará. A referência às três iniciativas ocorre no contexto da apresentação dos investimentos do Novo PAC e das ações voltadas à ampliação da infraestrutura nacional.
A infraestrutura nacional ocupa espaço central na mensagem presidencial, principalmente por meio do Novo PAC. Segundo o discurso, a execução orçamentária chegou a R$ 945 bilhões, com 34,8 mil empreendimentos distribuídos por 99% dos municípios brasileiros.
O presidente também afirmou que, nos últimos dois anos, o país realizou cerca de 50 leilões de rodovias, portos e aeroportos, ampliando a capacidade logística e a qualidade dos serviços.
Agronegócio brasileiro e o fortalecimento da indústria
O agronegócio foi apresentado como um dos principais vetores desse desempenho. O setor registrou exportações de US$ 169 bilhões e superávit de US$ 149,07 bilhões. A safra de grãos alcançou US$ 346,1 milhões, e a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas somou US$ 954,2 milhões entre 2023 e 2025. O presidente também relacionou esses resultados ao maior Plano Safra da história, de US$ 516,2 bilhões, e à abertura de novos mercados internacionais.
Paralelamente, o discurso destacou a retomada do processo de reindustrialização, com R$ 588,4 bilhões investidos na modernização do parque industrial, incluindo renovação de máquinas, introdução de tecnologias e aumento da competitividade.
A ciência foi citada como eixo do desenvolvimento nacional, apoiada por investimentos em pesquisa estratégica, inovação, infraestrutura e formação de capital humano, além da transição para uma economia considerada mais verde e digital.
No campo tecnológico, o presidente mencionou o avanço da soberania tecnológica e o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, voltado à aplicação da IA em áreas como saúde, educação, governo digital e segurança de dados, bem como ao desenvolvimento de um modelo de linguagem treinado em português.
Por fim, o presidente destacou a importância da parceria com o Congresso Nacional para a aprovação de medidas consideradas estruturantes e indicou como desafios a regulação do trabalho por aplicativos e o fim da escala de trabalho 6 por 1, sem redução salarial.
