Audiência no Senado denuncia precarização do trabalho com avanço da pejotização

Audiência no Senado denuncia precarização do trabalho com avanço da pejotização
Créditos Geraldo Magela/ Agência Senado.

O avanço da pejotização no Brasil tem gerado crescente preocupação entre autoridades e especialistas, que alertam para a precarização do trabalho e o enfraquecimento da proteção social garantida pela Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O tema foi debatido nesta quinta-feira (29) em audiência pública promovida pela Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado.

A audiência foi convocada a partir de requerimento do senador Paulo Paim (PT-RS), que classificou a pejotização como “uma ameaça direta aos direitos trabalhistas” e “um ataque frontal à CLT”. Segundo o parlamentar, a prática — que consiste na contratação de trabalhadores como pessoas jurídicas para driblar encargos e obrigações trabalhistas — fragiliza o pacto social brasileiro e oculta relações de emprego sob contratos civis.

“Estamos falando de milhões de trabalhadores e de um rombo que já chega a R$ 89 bilhões aos cofres públicos desde a reforma trabalhista”, alertou Paim, citando dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

O ministro do Tribunal Superior do Trabalho (TST) Augusto César Leite de Carvalho foi categórico ao afirmar que a pejotização, quando disfarça vínculo empregatício, constitui fraude. “Não há base jurídica para a pejotização quando há subordinação, pessoalidade e continuidade. A realidade deve prevalecer sobre a formalidade do contrato”, defendeu, destacando o risco de retrocessos sociais diante da fragilização da rede de proteção trabalhista.

A coordenadora-geral de Fiscalização e Promoção do Trabalho Decente do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Dercylete Loureiro, apresentou dados que revelam o perfil majoritariamente vulnerável dos trabalhadores pejotizados: 93% recebem até R$ 6 mil por mês, sendo que mais da metade ganha até R$ 2 mil. “Estamos falando de trabalhadores como faxineiros, porteiros, vendedores. Pessoas que não têm como dissociar seu sustento de sua própria força de trabalho”, afirmou.

Representando o Ministério Público do Trabalho (MPT), o coordenador nacional de Combate às Fraudes nas Relações de Trabalho, Renan Kalil, ressaltou que o número de denúncias sobre fraudes trabalhistas quintuplicou na última década. “Ou reafirmamos a primazia da realidade ou consagraremos um modelo de faz de conta que legitima a fraude”, alertou, pedindo que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha os fundamentos constitucionais de proteção ao trabalho.

Também participaram do debate o desembargador Clóvis Schuch Santos, do TRT da 4ª Região, criticou decisões do STF que, segundo ele, invalidam julgamentos da Justiça do Trabalho com base apenas na formalização contratual. Já a pesquisadora da Unicamp e desembargadora aposentada Magda Biavaschi destacou que a Constituição de 1988 condiciona a livre iniciativa ao valor social do trabalho, enquanto Schuch Santos lamentou a “destruição da CLT, da Previdência e da economia”.

O assessor jurídico da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Ricardo Carneiro, concluiu que a pejotização transfere o risco econômico ao trabalhador e enfraquece os sindicatos. “Não se trata de liberdade de escolha, mas de uma chantagem social travestida de contrato civil”, afirmou.

Fonte: Agência Senado

Dados e informações públicas de qualidade. Foque no que importa.
Oferecemos as informações e dados públicos que você precisa para tomar decisões estratégicas.
Compartilhe

Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit. Ut elit tellus, luctus nec ullamcorper mattis, pulvinar dapibus leo.

Nossas principais temáticas