Encontro reuniu governo, especialistas e representantes da sociedade civil para discutir os impactos ambientais e à saúde associados à produção, ao uso e ao descarte de plásticos
Em seminário realizado dia 10 de março de 2026, sobre as negociações globais relacionadas aos plásticos e seus impactos ambientais e à saúde, o debate abordou o avanço da poluição plástica, a presença de substâncias químicas nesses materiais e os desafios para a construção de uma posição brasileira nas negociações internacionais em curso. A reunião destacou que o tema envolve não apenas questões ambientais, mas também aspectos ligados à saúde pública, à regulação química e à formulação de políticas públicas.
A abertura do encontro associou o crescimento da produção plástica ao aumento da poluição ambiental e aos desafios de governança internacional sobre o tema. O deputado Ricardo Galvão (REDE-SP) destacou que a produção global de plásticos tem crescido de forma acelerada nas últimas décadas e mencionou que o volume anual já se aproxima de centenas de milhões de toneladas, gerando impactos ambientais significativos. Segundo o parlamentar, o problema exige soluções que envolvam desde a redução da produção até novas tecnologias para tratamento de resíduos plásticos.
Também foi ressaltado que as negociações globais ainda enfrentam divergências entre os países participantes, o que tem dificultado a consolidação de um acordo mais amplo. Nesse contexto, o seminário buscou aproximar a discussão internacional das decisões que vêm sendo debatidas no Brasil.
Durante o debate, o deputado Ricardo Galvão (REDE-SP) afirmou ainda que o Brasil pode contribuir para o enfrentamento do problema também por meio da inovação tecnológica. Ao tratar do tema, mencionou experiências internacionais voltadas ao tratamento de resíduos plásticos e reforçou a necessidade de ampliar a capacidade de resposta do país diante dos impactos ambientais associados ao material.
Ao longo da reunião, um dos pontos centrais foi a necessidade de analisar o problema dos plásticos em todo o seu ciclo de vida. As exposições trataram não apenas do descarte e da reciclagem, mas também da produção, da composição química, do uso, do reaproveitamento e da destinação final desses materiais. A avaliação apresentada foi a de que soluções concentradas apenas em reciclagem ou em plásticos de uso único não seriam suficientes para responder à dimensão do problema.
Representando o Ministério das Relações Exteriores, Luciana Melchert explicou que as negociações internacionais sobre o tratado global de combate à poluição plástica ocorrem no âmbito do Comitê Intergovernamental de Negociação (INC) das Nações Unidas. Segundo ela, o Brasil tem buscado atuar como um país de posição intermediária nas discussões, tentando construir consensos entre diferentes grupos de países para viabilizar um acordo internacional que seja efetivo e amplamente adotado.
Outro eixo importante da discussão foi o impacto dos plásticos sobre a saúde. Durante o seminário, foram mencionadas preocupações com a presença de substâncias químicas em diferentes produtos, incluindo materiais que entram em contato com alimentos e objetos de uso cotidiano. Também houve referência aos debates sobre microplásticos e nanoplásticos, indicando que a questão vem sendo tratada de forma cada vez mais ampla, para além da gestão visível de resíduos.
A reunião também abordou iniciativas em curso no Brasil relacionadas à regulação química, à análise do ciclo de vida de produtos e ao desenvolvimento de instrumentos para avaliar reciclabilidade. Nesse contexto, Adalberto Felício Maluf, representante do Ministério do Meio Ambiente, destacou avanços recentes na política ambiental brasileira, incluindo medidas de logística reversa e iniciativas voltadas à economia circular e à ampliação da reciclagem de plásticos no país.
Ao mesmo tempo, os participantes apontaram a importância de maior articulação entre áreas como meio ambiente, saúde, indústria, ciência e tecnologia para o avanço de uma política mais coordenada sobre o tema.
O seminário encerrou com a avaliação de que o debate sobre plásticos tende a ganhar mais espaço na agenda pública e regulatória, tanto no Brasil quanto no exterior, à medida que avançam as negociações internacionais sobre o tema. As discussões também indicaram que a construção de uma posição brasileira mais definida deverá envolver diferentes áreas do governo, além de diálogo com especialistas, setor produtivo e sociedade civil.
Por Letícia Medina/Notícias DataPolicy
