Crédito, infraestrutura e política fundiária dividem propostas de Lula e Flávio para o agro

Imagem meramente ilustrativa. Créditos da imagem: Canva/ Tom Fisk.

Os programas dos candidatos apresentam convergências em seguro rural, irrigação, fertilizantes e tecnologia, mas adotam abordagens diferentes para financiamento, infraestrutura e política fundiária.

Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) chegam ao segundo turno da eleição presidencial com propostas distintas para o setor agropecuário. Os programas apresentam convergências em temas como seguro rural, irrigação, fertilizantes, conectividade e tecnologia, mas diferem nas estratégias para financiamento, infraestrutura, política fundiária e tributação.

Os dois candidatos registraram seus programas de governo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). As propostas relacionadas ao agronegócio abrangem políticas de crédito e produção, além de medidas de infraestrutura, comércio exterior, inovação e meio ambiente.

Crédito rural e seguro agrícola

No crédito rural, Lula propõe ampliar os recursos do Plano Safra, com condições de financiamento associadas às características da atividade agropecuária. O programa também prevê recursos para máquinas, equipamentos, irrigação e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade, além da diversificação das fontes de financiamento.

Flávio, por sua vez, inclui a securitização e a reorganização das dívidas dos produtores rurais entre suas propostas. O programa também prevê ampliar o Seguro Rural, enquanto Lula propõe fortalecer o instrumento e ampliar mecanismos de proteção financeira para o setor.

A gestão de riscos climáticos também aparece nos dois programas. Lula propõe um programa de resiliência climática rural, com medidas de conservação dos solos, expansão da irrigação, agricultura de precisão, monitoramento meteorológico e sistemas de alerta.

Flávio prevê ampliar as áreas irrigadas, simplificar procedimentos para o uso da água e desenvolver polos de irrigação no Matopiba e no Semiárido. Suas propostas também relacionam a segurança hídrica à implantação de reservatórios, canais e sistemas de monitoramento.

Fertilizantes, inovação e tecnologia

Na política de insumos, os dois programas defendem ampliar a produção nacional de fertilizantes. Lula também menciona os bioinsumos, enquanto Flávio relaciona a produção ao aproveitamento de reservas minerais brasileiras e ao gás natural.

Na pesquisa agropecuária, Lula propõe reforçar a atuação da Embrapa em áreas como biotecnologia e edição genética, além de ampliar a conectividade no campo e estimular aplicações de inteligência artificial (IA) no agronegócio.

Flávio também inclui a tecnologia entre os eixos de suas propostas para o país, com previsão de uso da inteligência artificial em diferentes áreas. No entanto, a comparação entre as candidaturas exige distinguir as diretrizes gerais de transformação digital das medidas especificamente voltadas à produção agropecuária.

A implementação dessas iniciativas dependerá de fatores como financiamento, infraestrutura digital, capacidade de pesquisa e acesso dos produtores às novas tecnologias.

Infraestrutura e comércio exterior

Na infraestrutura logística, Lula vincula os investimentos à continuidade do Novo PAC, com obras públicas, concessões e expansão dos diferentes modais de transporte.

Flávio prevê R$ 900 bilhões em investimentos ao longo de quatro anos e cita projetos como a Ferrogrão, a Transnordestina e a hidrovia do Tapajós. Também propõe ampliar a capacidade nacional de armazenagem de grãos.

No comércio exterior, Lula propõe ampliar mercados para produtos agropecuários e fortalecer a diplomacia comercial. Flávio também defende negociações com parceiros internacionais e maior integração das empresas brasileiras às cadeias globais de valor.

Política fundiária e agenda ambiental

Na política fundiária, as diferenças entre os candidatos são mais evidentes. Lula prevê a continuidade da reforma agrária, a regularização fundiária, o crédito fundiário e a titulação de territórios quilombolas e de comunidades tradicionais.

Flávio concentra suas propostas na regularização e titulação de pequenos proprietários e na segurança jurídica do direito de propriedade.

Na agenda ambiental, Lula propõe a recuperação de pastagens, a adoção de sistemas integrados de produção e a recuperação de áreas degradadas. Flávio prevê consolidar o Cadastro Ambiental Rural (CAR) e ampliar mecanismos de pagamento por serviços ambientais.

As propostas refletem diferentes prioridades para o desenvolvimento agropecuário, com convergências em instrumentos de produção e gestão de riscos e diferenças nas abordagens de financiamento, ordenamento fundiário e atuação do Estado.

Por P.C. / Notícias DataPolicy.

Créditos da imagem: Canva/ Tom Fisk.

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