Encerramento da COP15 reforça cooperação global e papel do multilateralismo na proteção ambiental

Encerramento da COP15 reforça cooperação global e papel do multilateralismo na proteção ambiental
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Discurso destaca responsabilidade compartilhada entre países e aponta próximos passos da governança internacional sobre espécies migratórias

O discurso de encerramento da COP15, realizado pelo secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, em 29 de março, domingo, destacou a importância da cooperação internacional e do multilateralismo como pilares para a conservação das espécies migratórias. A fala marcou o fim da conferência, realizada em Campo Grande (MS), e sinalizou as diretrizes que devem orientar a atuação dos países nos próximos anos.

Durante a intervenção, Capobianco enfatizou que a proteção da biodiversidade, especialmente no caso de espécies migratórias, exige ações coordenadas entre diferentes nações. Segundo ele, esses animais atravessam fronteiras e conectam ecossistemas distintos, o que torna insuficientes iniciativas isoladas. Nesse contexto, a Convenção sobre Espécies Migratórias foi apresentada como um instrumento singular dentro da governança ambiental global, por promover uma lógica de responsabilidade compartilhada entre os países.

O discurso também ressaltou o conceito de conectividade ecológica como elemento central para a conservação. A preservação de rotas migratórias, corredores ecológicos e habitats críticos foi apontada como essencial para garantir o equilíbrio dos ecossistemas. O representante brasileiro destacou que a perda dessa conectividade pode comprometer diretamente a sobrevivência das espécies e o funcionamento dos sistemas naturais.

Outro ponto abordado foi a necessidade de alinhar políticas públicas entre diferentes setores e países, com base em evidências científicas. A fala indicou que a ciência já fornece diagnósticos claros sobre os desafios enfrentados pela biodiversidade, cabendo agora aos governos transformar esse conhecimento em ações concretas e coordenadas.

Capobianco também destacou a cooperação como elemento estruturante da Convenção, envolvendo não apenas governos, mas também organizações internacionais, comunidade científica, povos indígenas e comunidades tradicionais. Segundo ele, a efetividade das medidas depende da articulação entre esses diferentes atores e da construção de confiança entre os países.

Ao projetar os próximos passos, o representante brasileiro afirmou que o país, à frente da presidência da Convenção, atuará para ampliar a participação de novos membros, aumentar a visibilidade do acordo e fortalecer sua integração com outros instrumentos internacionais. Entre as iniciativas mencionadas estão o incentivo à adesão à Declaração do Pantanal e o avanço de ações conjuntas entre países amazônicos voltadas à proteção da conectividade ecológica.

O discurso também incluiu o reconhecimento às equipes técnicas envolvidas na organização da conferência e ao secretariado da Convenção, além da menção à escolha da Alemanha como sede da próxima edição do encontro, prevista para 2029.

Impactos para o setor de meio ambiente

A fala reforça a tendência de fortalecimento da governança ambiental internacional, com ênfase na cooperação entre países como elemento central para enfrentar a perda de biodiversidade. A valorização da conectividade ecológica indica um direcionamento para políticas mais integradas, voltadas à proteção de habitats e rotas migratórias em escala global.

Além disso, o destaque dado à ciência e à articulação entre diferentes atores sugere um movimento de maior alinhamento entre conhecimento técnico e formulação de políticas públicas. A implementação das diretrizes apresentadas pode contribuir para ampliar a efetividade das ações de conservação, ao mesmo tempo em que exige maior coordenação institucional e compromisso contínuo dos países envolvidos.

Por: Letícia Medina/Notícias DataPolicy (com informações do MMA)

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