Letícia Medina
Crédito rural verde: a conformidade ambiental como vantagem competitiva real no agronegócio
Crédito rural verde: a conformidade ambiental como vantagem competitiva real no agronegócio
A incorporação de critérios ambientais nas condições de crédito rural representa uma das transformações mais silenciosas e consequentes do financiamento agropecuário brasileiro na última década. Silenciosa porque avança sem um marco legislativo único e visível, por meio de resoluções do Banco Central, da expansão progressiva de programas como o ABC+, e de movimentos autônomos de instituições financeiras privadas que respondem a pressões de investidores institucionais. Consequente porque altera, de forma gradual mas consistente, a estrutura de custo de capital disponível para diferentes perfis de produtores (...)
O novo jogo tributário já começou: O que muda, quem paga o preço e quem sai na frente na implementação da Reforma
autor convidado
O novo jogo tributário já começou: O que muda, quem paga o preço e quem sai na frente na implementação da Reforma
A longa e exaustiva discussão política sobre os rumos da Reforma Tributária no Brasil finalmente mudou de endereço. O debate deixou as salas de comissões em Brasília e agora ocupa as mesas dos departamentos de TI, escritórios de contabilidade e diretorias de planejamento de empresas de todos os portes. O cenário de incerteza deu lugar a um cronograma prático e irreversível: os pilares estruturais — como o Comitê Gestor do IBS (CG-IBS), formalizado pela Lei Complementar (LC) 227/2026, e os sistemas de apuração assistida — (...)
Incorporação tecnológica compulsória é o novo risco atuarial das operadoras de saúde
Incorporação tecnológica compulsória é o novo risco atuarial das operadoras de saúde
A sinistralidade do setor de saúde suplementar fechou 2025 em 81,7%, o menor índice desde 2020, segundo dados divulgados pela ANS em março de 2026. O lucro líquido agregado atingiu R$ 24,4 bilhões, equivalente a 6,2% da receita total de R$ 391,6 bilhões, com retorno sobre patrimônio líquido de 16,4%, patamar superior ao período pré-pandemia. À primeira leitura, o setor parece ter encontrado seu ponto de equilíbrio. À segunda, os próprios dados da ANS revelam que esse equilíbrio é altamente concentrado e construído sobre uma (...)
Biodiversidade como ativo: o que o mercado regulado muda para quem tem terra preservada
Biodiversidade como ativo: o que o mercado regulado muda para quem tem terra preservada
O Brasil abriga entre 10% e 20% das espécies conhecidas do planeta, de acordo com estimativas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o que o consolida como o país de maior biodiversidade terrestre do mundo. Segundo o painel do CNUC (Cadastro Nacional de Unidades de Conservação), consultado em junho de 2026, o país conta com 3.421 unidades de conservação, cobrindo 164,7 milhões de hectares de área continental protegida, o equivalente a 19,35% do território nacional. O dado não desconta sobreposições entre unidades, (...)
Prorrogação de vigência de TUPs: a armadilha do critério vinculante mal instruído
Prorrogação de vigência de TUPs: a armadilha do critério vinculante mal instruído
Operadores de Terminais de Uso Privado que precisam prorrogar a vigência de suas autorizações enfrentam um processo com garantia legal, mas sem critérios objetivos de avaliação. A norma determina que a autorização será prorrogada quando mantida a atividade e comprovados os investimentos em expansão e modernização, mas não define parâmetros mensuráveis para essa comprovação. A decisão compete à Secretaria Nacional de Portos, não à ANTAQ, e exige requerimento com antecedência mínima de um ano. Quem chega ao processo sem documentação organizada e sem alinhamento prévio (...)
O labirinto regulatório do frete mínimo: equilíbrio econômico ou risco de paralisia nacional?
O labirinto regulatório do frete mínimo: equilíbrio econômico ou risco de paralisia nacional?
A Política Nacional de Pisos Mínimos de Frete, instituída originalmente em 2018 como o principal remédio político para cessar a histórica greve dos caminhoneiros, voltou ao epicentro do debate nacional de forma ainda mais contundente. O tema, que transita sob intensa pressão entre os Três Poderes, opõe a urgência social dos transportadores autônomos e os severos alertas de custos das entidades produtivas. Entre notas técnicas e arranjos institucionais, o Brasil se vê diante de um labirinto regulatório complexo, onde cada movimento impacta diretamente a espinha (...)
Clarity Act e tokenização de ativos rurais: o que o avanço regulatório americano muda para o agronegócio brasileiro
Clarity Act e tokenização de ativos rurais: o que o avanço regulatório americano muda para o agronegócio brasileiro
A regulação de ativos digitais nos Estados Unidos está avançando de forma consistente, e suas consequências para o agronegócio exportador brasileiro são mais diretas do que o setor reconhece. A aprovação do Clarity Act em comitê do Senado americano não encerra o processo legislativo, mas consolida um movimento irreversível: a criação de regras claras para que ativos digitais lastreados em commodities circulem em mercados de capitais com segurança jurídica definida. Para empresas brasileiras que dependem de financiamento externo e de contratos de exportação de longo (...)
O Selo Verde Brasil e o que a norma de polímeros renováveis antecipa para o agronegócio
O Selo Verde Brasil e o que a norma de polímeros renováveis antecipa para o agronegócio
Em 20 de março de 2026, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços lançou a primeira norma técnica setorial do Programa Selo Verde Brasil. O objeto escolhido para inaugurar o sistema foi preciso: polímeros de eteno de fonte renovável, materiais produzidos principalmente a partir do etanol de cana-de-açúcar e utilizados na fabricação de sacolas recicláveis, filmes e embalagens que substituem plásticos de origem fóssil. A escolha não foi arbitrária. O Brasil detém vantagem comparativa estrutural em feedstock renovável de base canavieira que nenhum outro (...)
Plataformas digitais e banda larga: quem consome a rede não paga por ela
Plataformas digitais e banda larga: quem consome a rede não paga por ela
A expansão acelerada do consumo de serviços digitais no Brasil não é acompanhada por um modelo regulatório que distribua de forma equitativa os custos de infraestrutura necessários para sustentá-la. Enquanto plataformas de streaming, redes sociais, marketplaces e grandes provedores de conteúdo concentram volumes crescentes de tráfego sobre redes construídas e mantidas por operadoras de telecomunicações, o debate sobre quem deve financiar essa expansão permanece juridicamente inconcluso e politicamente inercial. (...)
Dois alívios tarifários, nenhuma reforma: o que o governo não está enfrentando na conta de luz
Dois alívios tarifários, nenhuma reforma: o que o governo não está enfrentando na conta de luz
O governo federal colocou em movimento, na mesma semana, dois instrumentos de gestão tarifária com impacto agregado potencial superior a R$ 11 bilhões. A coincidência de timing criou uma narrativa de alívio amplo na conta de luz. Essa narrativa precisa ser qualificada. (...)
O futuro dos postes no Brasil: entre a urgência parlamentar e o equilíbrio regulatório
O futuro dos postes no Brasil: entre a urgência parlamentar e o equilíbrio regulatório
O debate sobre o compartilhamento da infraestrutura de postes no Brasil atingiu um ponto de inflexão decisivo. De autoria do senador Weverton (PDT-MA), o Projeto de Lei 3220/2019, que propõe profundas alterações na Lei Geral de Telecomunicações (LGT) e na Lei da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), avançou significativamente e já conta com fortes requerimentos de urgência apresentados por lideranças parlamentares. (...)
Reporte climático obrigatório: o custo de não ter os dados antes da regulação chegar
Reporte climático obrigatório: o custo de não ter os dados antes da regulação chegar
A Resolução CVM 193/2023 está em vigor, o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões foi instituído pela Lei 15.042/2024 e a Resolução CVM 227 já abriu caminho para a adoção voluntária dos padrões globais do ISSB. A regulação de reporte climático não é uma ameaça futura: é um conjunto de obrigações ativas, com prazos em curso e consequências diretas sobre acesso a capital, custo de dívida e elegibilidade em processos de fusões e aquisições. O problema que a maioria das empresas brasileiras ainda não resolveu (...)

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