A chegada de 20 novas pesquisas de segundo turno, mostrando corrida tecnicamente empatada, derrubou a estimativa de vitória de Lula de 71,3% para 44,4% em um mês, colocando Flávio Bolsonaro como favorito.
A disputa presidencial de 2026, que parecia caminhar para uma vantagem consolidada de Lula (PT), passou por uma reviravolta estatística relevante entre as edições de agosto e setembro do Panorama Eleitoral DataPolicy PRO.
A chegada de 20 novas pesquisas de segundo turno, mostrando uma corrida tecnicamente empatada, derrubou a estimativa de vitória do atual presidente de 71,3% para 44,4%1, colocando Flávio Bolsonaro (PL) como favorito, com 55,6% de chance de vitória segundo o modelo.
O estudo foi consolidado pelo time de pesquisadores da DataPolicy, com dados verificados em fontes primárias registradas no TSE e base de dados até 9 de setembro de 2026. Uma versão pública, com parte dos dados disponibilizada gratuitamente, pode ser acessada no agregador de pesquisas eleitorais da DataPolicy.
Segundo o próprio relatório, o movimento nas pesquisas poderia ter origem em três fatos concretos de campanha ocorridos entre junho e agosto.
O primeiro poderia ser o vídeo em que Michelle Bolsonaro afirmou ter sido “humilhada” pelo enteado Flávio, episódio que pode ter elevado a rejeição dele entre as mulheres de 45% para 55% em menos de um mês. O episódio teria retirado de Flávio uma base que ela teria ajudado a construir à frente do PL Mulher, cujas filiações femininas teriam crescido de 346 mil para 411 mil sob sua gestão.
O segundo fator poderia ser a ascensão de Augusto Cury (Avante), que teria saltado de 2% para aproximadamente 10% das intenções de voto entre 14 de agosto e 2 de setembro. Os dados sugerem que o voto capturado por Cury poderia ter saído majoritariamente de Lula, e não de Flávio.
A aprovação do presidente no Nordeste pode ter caído de 66% para 60%, e entre eleitores de 16 a 34 anos o recuo poderia chegar a 10 pontos percentuais no mesmo período.
O terceiro fator seria a crise no Supremo Tribunal Federal (STF) em agosto, com a decisão do ministro André Mendonça de retirar o sigilo das conversas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes.
Esse episódio, somado aos vazamentos sobre a investigação de Lulinha e ao escândalo de fraudes no INSS, teria pesado especialmente sobre o eleitorado independente.
Das 120 pesquisas nacionais de primeiro turno catalogadas, com registro obrigatório no TSE e abrangendo 35 institutos, duas casas foram excluídas do cálculo do modelo por house effect extremo: Paraná Pesquisas e Vetor Arrow. Ambas seguem expostas nos gráficos do relatório, por transparência, mas não entram na simulação.
Também ficaram de fora: a pesquisa AtlasIntel BR-06939/2026, com divulgação suspensa por liminar do ministro Kássio Nunes Marques no TSE após contestação do PL sobre indução de perguntas relacionadas ao caso Vorcaro; cenários hipotéticos sem a candidatura de Lula; levantamentos não registrados no TSE; e uma pesquisa que mediu apenas rejeição eleitoral.
- A estimativa combina Filtro de Kalman e simulação de Monte Carlo (200 mil cenários) sobre as 81 pesquisas de segundo turno registradas no TSE (76% do peso), somadas a um bloco de variáveis estruturais como PIB, aprovação presidencial e desgaste de fim de mandato (24% do peso), recalculado a cada edição com dados oficiais atualizados. ↩︎
Por Letícia Medina/Notícias DataPolicy.
Créditos da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil
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