Transmissão precisa acompanhar transformação do sistema elétrico

Imagem meramente ilustrativa. Créditos da imagem: Magnific.com/evening_tao

Expansão das fontes renováveis, envelhecimento da infraestrutura e maior complexidade operacional aumentam a necessidade de modernizar a rede para preservar a estabilidade e a segurança energética.

A transformação da matriz elétrica brasileira está criando novas exigências para o sistema de transmissão. O crescimento da geração eólica, solar e distribuída amplia a necessidade de transportar energia entre diferentes regiões, mas também aumenta a complexidade da operação do Sistema Interligado Nacional (SIN).

Nesse cenário, a segurança energética passa a depender não apenas da expansão da rede, mas da capacidade de modernizar ativos, controlar fluxos de energia e responder rapidamente às variações da geração e da demanda.

O desafio é especialmente relevante diante da maior participação de fontes renováveis variáveis. A geração eólica e solar pode apresentar mudanças rápidas de produção, enquanto o perfil de consumo também passa por transformações.

Segundo o PAR/PEL 2025, elaborado pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), a maior penetração dessas fontes exige coordenação entre a entrada de novas usinas e a expansão da transmissão, além de recursos capazes de assegurar inércia sincronizada, reserva de potência e capacidade de absorver variações de potência.

O planejamento prevê, para o ciclo 2026–2030, 5.301 quilômetros de novas linhas de transmissão e 24.314 MVA de novos transformadores, com investimentos estimados em R$ 28,1 bilhões. As obras são necessárias para atender ao crescimento da demanda, integrar novas usinas e eliminar restrições identificadas na operação do sistema.

Ao mesmo tempo, a expansão precisa ocorrer em paralelo à renovação da infraestrutura existente. O PAR/PEL 2025 registrou 318 equipamentos de grande porte em final de vida útil no sistema de gerenciamento do ONS em 2025, quase o dobro dos 163 equipamentos cadastrados em 2023.

Entre as razões para substituição estão obsolescência, fim da vida útil, falta de peças de reposição, desgaste, risco de danos e restrições operativas. O envelhecimento dos ativos é apontado pelo ONS como um desafio que envolve planejamento, operação, regulação, modicidade tarifária e gestão das transmissoras.

A modernização também envolve novas tecnologias para aumentar a flexibilidade e a estabilidade da rede. O planejamento prevê soluções como compensadores síncronos e Sistemas Especiais de Proteção para controlar situações de maior estresse elétrico e permitir o escoamento da geração enquanto reforços estruturais ainda não estão disponíveis.

No Nordeste, por exemplo, compensadores são apontados como alternativa para ampliar margens de estabilidade, preservar o escoamento de geração renovável e reduzir riscos de restrições por confiabilidade.

Outro ponto de atenção é o aumento do curtailment, quando a geração de determinadas usinas precisa ser reduzida ou interrompida. O PAR/PEL 2025 aponta que a crescente participação de eólicas, fotovoltaicas e micro e minigeração distribuída tem ampliado a complexidade da operação. Em determinados períodos, a combinação entre elevada geração renovável e menor demanda pode produzir excesso de oferta, enquanto restrições elétricas também podem limitar o escoamento de energia.

O problema, portanto, não se resume à construção de novas linhas. A transmissão precisa evoluir para acompanhar uma matriz em transformação, com mais capacidade de monitoramento, controle, proteção e resposta às variações do sistema. A expansão física da rede continua necessária, mas passa a ser acompanhada por uma agenda de modernização tecnológica e substituição de ativos.

Impactos para o setor de Energia

A mudança cria uma agenda relevante de investimentos para transmissoras, fabricantes de transformadores e equipamentos elétricos, empresas de automação, proteção e controle, fornecedores de tecnologias digitais, engenharia e gestão de ativos. A necessidade de substituir equipamentos em final de vida útil também tende a aumentar a demanda por modernização de subestações e soluções capazes de ampliar a vida operacional da infraestrutura.

Para as transmissoras, o cenário reforça a importância do planejamento de ativos e da antecipação de investimentos em substituição e reforços. Para fornecedores de tecnologia, abre espaço para soluções voltadas à digitalização, monitoramento, flexibilidade e estabilidade da rede.

A tendência é que a segurança energética seja cada vez mais associada à capacidade de integrar novas fontes sem perder confiabilidade, aproveitando melhor a geração renovável e reduzindo as limitações impostas pela infraestrutura.

Nesse sentido, o diagnóstico do PAR/PEL 2025 mostra que a próxima etapa da expansão elétrica brasileira não será apenas construir mais transmissão, mas tornar a rede existente e a nova infraestrutura mais resilientes, flexíveis e preparadas para a transformação do sistema.

Por P.C /Notícias DataPolicy.

Créditos da imagem: Magnific.com/evening_tao

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