Letícia Medina
Intermodalidade porto-ferrovia: gargalo físico e regulatório que o setor não pode tratar em separado
Intermodalidade porto-ferrovia: gargalo físico e regulatório que o setor não pode tratar em separado
A movimentação ferroviária brasileira atingiu 555,48 milhões de toneladas úteis em 2025, o maior volume já registrado no país, segundo dados do Ministério dos Transportes divulgados em março de 2026. No mesmo intervalo, os portos brasileiros registraram seu terceiro ano consecutivo de recorde, com crescimento de 4,97% na movimentação entre janeiro e novembro de 2025, conforme dados da Antaq. Esses dois desempenhos simultâneos descrevem, com precisão, o paradoxo que governa a agenda de intermodalidade no país: crescimento expressivo nos dois extremos da cadeia logística convivendo (...)
Crédito rural verde: a conformidade ambiental como vantagem competitiva real no agronegócio
Crédito rural verde: a conformidade ambiental como vantagem competitiva real no agronegócio
A incorporação de critérios ambientais nas condições de crédito rural representa uma das transformações mais silenciosas e consequentes do financiamento agropecuário brasileiro na última década. Silenciosa porque avança sem um marco legislativo único e visível, por meio de resoluções do Banco Central, da expansão progressiva de programas como o ABC+, e de movimentos autônomos de instituições financeiras privadas que respondem a pressões de investidores institucionais. Consequente porque altera, de forma gradual mas consistente, a estrutura de custo de capital disponível para diferentes perfis de produtores (...)
O novo jogo tributário já começou: O que muda, quem paga o preço e quem sai na frente na implementação da Reforma
autor convidado
O novo jogo tributário já começou: O que muda, quem paga o preço e quem sai na frente na implementação da Reforma
A longa e exaustiva discussão política sobre os rumos da Reforma Tributária no Brasil finalmente mudou de endereço. O debate deixou as salas de comissões em Brasília e agora ocupa as mesas dos departamentos de TI, escritórios de contabilidade e diretorias de planejamento de empresas de todos os portes. O cenário de incerteza deu lugar a um cronograma prático e irreversível: os pilares estruturais — como o Comitê Gestor do IBS (CG-IBS), formalizado pela Lei Complementar (LC) 227/2026, e os sistemas de apuração assistida — (...)
Incorporação tecnológica compulsória é o novo risco atuarial das operadoras de saúde
Incorporação tecnológica compulsória é o novo risco atuarial das operadoras de saúde
A sinistralidade do setor de saúde suplementar fechou 2025 em 81,7%, o menor índice desde 2020, segundo dados divulgados pela ANS em março de 2026. O lucro líquido agregado atingiu R$ 24,4 bilhões, equivalente a 6,2% da receita total de R$ 391,6 bilhões, com retorno sobre patrimônio líquido de 16,4%, patamar superior ao período pré-pandemia. À primeira leitura, o setor parece ter encontrado seu ponto de equilíbrio. À segunda, os próprios dados da ANS revelam que esse equilíbrio é altamente concentrado e construído sobre uma (...)
Biodiversidade como ativo: o que o mercado regulado muda para quem tem terra preservada
Biodiversidade como ativo: o que o mercado regulado muda para quem tem terra preservada
O Brasil abriga entre 10% e 20% das espécies conhecidas do planeta, de acordo com estimativas do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, o que o consolida como o país de maior biodiversidade terrestre do mundo. Segundo o painel do CNUC (Cadastro Nacional de Unidades de Conservação), consultado em junho de 2026, o país conta com 3.421 unidades de conservação, cobrindo 164,7 milhões de hectares de área continental protegida, o equivalente a 19,35% do território nacional. O dado não desconta sobreposições entre unidades, (...)
Prorrogação de vigência de TUPs: a armadilha do critério vinculante mal instruído
Prorrogação de vigência de TUPs: a armadilha do critério vinculante mal instruído
Operadores de Terminais de Uso Privado que precisam prorrogar a vigência de suas autorizações enfrentam um processo com garantia legal, mas sem critérios objetivos de avaliação. A norma determina que a autorização será prorrogada quando mantida a atividade e comprovados os investimentos em expansão e modernização, mas não define parâmetros mensuráveis para essa comprovação. A decisão compete à Secretaria Nacional de Portos, não à ANTAQ, e exige requerimento com antecedência mínima de um ano. Quem chega ao processo sem documentação organizada e sem alinhamento prévio (...)
O labirinto regulatório do frete mínimo: equilíbrio econômico ou risco de paralisia nacional?
O labirinto regulatório do frete mínimo: equilíbrio econômico ou risco de paralisia nacional?
A Política Nacional de Pisos Mínimos de Frete, instituída originalmente em 2018 como o principal remédio político para cessar a histórica greve dos caminhoneiros, voltou ao epicentro do debate nacional de forma ainda mais contundente. O tema, que transita sob intensa pressão entre os Três Poderes, opõe a urgência social dos transportadores autônomos e os severos alertas de custos das entidades produtivas. Entre notas técnicas e arranjos institucionais, o Brasil se vê diante de um labirinto regulatório complexo, onde cada movimento impacta diretamente a espinha (...)
Clarity Act e tokenização de ativos rurais: o que o avanço regulatório americano muda para o agronegócio brasileiro
Clarity Act e tokenização de ativos rurais: o que o avanço regulatório americano muda para o agronegócio brasileiro
A regulação de ativos digitais nos Estados Unidos está avançando de forma consistente, e suas consequências para o agronegócio exportador brasileiro são mais diretas do que o setor reconhece. A aprovação do Clarity Act em comitê do Senado americano não encerra o processo legislativo, mas consolida um movimento irreversível: a criação de regras claras para que ativos digitais lastreados em commodities circulem em mercados de capitais com segurança jurídica definida. Para empresas brasileiras que dependem de financiamento externo e de contratos de exportação de longo (...)
O Selo Verde Brasil e o que a norma de polímeros renováveis antecipa para o agronegócio
O Selo Verde Brasil e o que a norma de polímeros renováveis antecipa para o agronegócio
Em 20 de março de 2026, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços lançou a primeira norma técnica setorial do Programa Selo Verde Brasil. O objeto escolhido para inaugurar o sistema foi preciso: polímeros de eteno de fonte renovável, materiais produzidos principalmente a partir do etanol de cana-de-açúcar e utilizados na fabricação de sacolas recicláveis, filmes e embalagens que substituem plásticos de origem fóssil. A escolha não foi arbitrária. O Brasil detém vantagem comparativa estrutural em feedstock renovável de base canavieira que nenhum outro (...)
Plataformas digitais e banda larga: quem consome a rede não paga por ela
Plataformas digitais e banda larga: quem consome a rede não paga por ela
A expansão acelerada do consumo de serviços digitais no Brasil não é acompanhada por um modelo regulatório que distribua de forma equitativa os custos de infraestrutura necessários para sustentá-la. Enquanto plataformas de streaming, redes sociais, marketplaces e grandes provedores de conteúdo concentram volumes crescentes de tráfego sobre redes construídas e mantidas por operadoras de telecomunicações, o debate sobre quem deve financiar essa expansão permanece juridicamente inconcluso e politicamente inercial. (...)
Dois alívios tarifários, nenhuma reforma: o que o governo não está enfrentando na conta de luz
Dois alívios tarifários, nenhuma reforma: o que o governo não está enfrentando na conta de luz
O governo federal colocou em movimento, na mesma semana, dois instrumentos de gestão tarifária com impacto agregado potencial superior a R$ 11 bilhões. A coincidência de timing criou uma narrativa de alívio amplo na conta de luz. Essa narrativa precisa ser qualificada. (...)
O futuro dos postes no Brasil: entre a urgência parlamentar e o equilíbrio regulatório
O futuro dos postes no Brasil: entre a urgência parlamentar e o equilíbrio regulatório
O debate sobre o compartilhamento da infraestrutura de postes no Brasil atingiu um ponto de inflexão decisivo. De autoria do senador Weverton (PDT-MA), o Projeto de Lei 3220/2019, que propõe profundas alterações na Lei Geral de Telecomunicações (LGT) e na Lei da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), avançou significativamente e já conta com fortes requerimentos de urgência apresentados por lideranças parlamentares. (...)

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