Queda inédita da abstenção levou 3 milhões de eleitores a mais às urnas no 2º turno

Imagem meramente ilustrativa. Créditos da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil.

A abstenção caiu de 21,08% para 19,22%, movimento sem precedente na série desde 2002, e estimativas indicam que os votos novos foram quase integralmente para Lula.

O segundo turno das eleições presidenciais de 2026 registrou uma redução inédita da abstenção em relação ao primeiro turno na série analisada desde 2002. Segundo o relatório Pós-Eleição 2026, da DataPolicy PRO, o percentual de eleitores que não compareceram caiu de 21,08% para 19,22%, acompanhado pelo aumento de aproximadamente 3 milhões de votantes. O movimento ocorreu em uma disputa na qual Luiz Inácio Lula da Silva terminou com 51,79% dos votos válidos, ante 48,21% de Flávio Bolsonaro.

A redução da abstenção se diferenciou do padrão observado nos segundos turnos anteriores. Entre 2002 e 2018, o percentual de eleitores ausentes aumentou em relação ao primeiro turno. Em 2026, a tendência foi invertida, ampliando o número de eleitores que participaram da votação decisiva.

O relatório estima que havia cerca de 14,1 milhões de votos em disputa entre os dois turnos, considerando os votos recebidos pelos candidatos eliminados no primeiro turno e o aumento líquido dos votos válidos. Desse conjunto, a análise atribui aproximadamente 74% a Lula. A estimativa, contudo, resulta da comparação dos resultados agregados e não identifica individualmente a escolha de cada eleitor.

O documento também diferencia os votos de eleitores que haviam escolhido candidatos eliminados daqueles classificados como novos, associados ao aumento dos votos válidos entre os turnos. No segundo grupo, as estimativas indicam que entre 95% e 100% dos votos adicionais teriam sido destinados a Lula. O intervalo sugere uma concentração expressiva desses votos no candidato, mas depende do método estatístico empregado e não equivale a um levantamento individual das escolhas eleitorais.

A distribuição territorial do comparecimento apresentou diferenças importantes. Bahia e Pernambuco registraram os maiores aumentos estaduais, de 3,3 e 3,0 pontos percentuais, respectivamente. São Paulo teve alta de 2,7 pontos, enquanto Minas Gerais e Paraná registraram aumentos de 2,5 pontos. Em contrapartida, o comparecimento diminuiu em oito estados, com as maiores quedas no Amapá (-8,1 pontos), em Roraima (-6,0) e no Acre (-5,6).

Apesar dessas diferenças, Lula ampliou sua votação nos 27 estados, segundo o relatório. O resultado indica que a redução nacional da abstenção ocorreu em conjunto com movimentos territoriais distintos, sem uma relação uniforme entre comparecimento e desempenho eleitoral.

Os dados permitem dimensionar a participação e a distribuição dos votos entre os turnos, mas não determinam, isoladamente, os motivos que levaram os eleitores a comparecer ou a escolher determinado candidato. A análise da abstenção, portanto, contribui para compreender a composição do resultado eleitoral, sem constituir, por si só, uma explicação causal da vitória.

Por P.C. / Notícias DataPolicy.

Créditos da imagem: Fernando Frazão/Agência Brasil.

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