Com a segunda maior reserva de terras raras do mundo, o Brasil negocia entre o interesse dos Estados Unidos e a meta de agregar valor no país.
Em 16 de setembro de 2026, Lula sancionou a Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos. Reeleito em 25 de outubro, ele já afirmou que não disputará outro mandato. O tema chega ao quarto governo inscrito no programa de governo e na agenda com os Estados Unidos.
Os minerais críticos passaram a ocupar a agenda externa e a industrial. De um lado, há interesse americano manifestado no setor; de outro, o programa prevê agregar valor no país.
O Brasil tem a segunda maior reserva de terras raras do mundo. Os Estados Unidos classificaram o país como parceiro estratégico no setor e apoiaram a compra de uma mineradora em Goiás.
A relação bilateral registra atritos. Em julho de 2025, os EUA anunciaram tarifas de 50%. Desde 22 de julho de 2026, aplicam sobretaxa de 25% sobre parte das exportações, com base na Seção 301 da lei comercial americana. O Brasil recorreu à OMC e acionou a Lei de Reciprocidade Econômica.
Em 26 de outubro, Trump disse, sem apresentar provas, que a eleição pareceu fraudada, mas afirmou gostar de Lula. Na avaliação da DataPolicy, as tarifas, a disputa sobre minerais críticos e essa declaração indicam negociação difícil com Washington.
Sob a diretriz “Nossa soberania não está à venda”, o programa prevê mapeamento, beneficiamento e agregação de valor no país. A Nova Indústria Brasil, com R$ 860 bilhões em financiamentos entre 2023 e 2026, tem minerais críticos entre os focos futuros.
Na leitura do DataPolicy PRO, a política industrial deve manter o crédito subsidiado e as exigências de conteúdo local, e os minerais críticos devem receber novos instrumentos de fomento.
A condução da agenda ainda depende de definições. Até 26 de outubro, nenhum ministro teve a permanência anunciada para 2027. Alexandre Silveira (PSD), mantido em Minas e Energia em abril de 2026, é apontado pela imprensa como favorito à recondução, sem anúncio oficial.
A montagem do novo ministério começou na primeira semana de novembro, com conversas entre o PT e partidos do Centrão. Lula condiciona cargos a compromisso de votos. Segundo a DataPolicy, governo e centro somam 214 deputados e 30 senadores, abaixo da maioria absoluta nas duas Casas, e os acordos em curso ainda não alteraram formalmente esse quadro.
No primeiro pregão após a eleição, o dólar subiu 8,2%, para R$ 5,40, e o Ibovespa caiu 13,88%. Analistas apontaram mineração e exportadores entre os segmentos relativamente protegidos pela alta do dólar, e a Vale avançou 4,0%.
O DataPolicy PRO avalia que, no último mandato, Lula tende a priorizar agendas de legado e a manter a busca de autonomia entre Estados Unidos e China. Entre essas agendas estão clima, combate à fome e reforma da governança global.
Para o executivo, a direção está indicada no programa, mas os novos instrumentos de fomento e o comando de Minas e Energia para 2027 ainda não foram oficialmente anunciados. Esses fatores, somados à negociação com Washington, tendem a delimitar o espaço do investimento estrangeiro.
O que muda para o setor
Mineradoras com ativos ou projetos em terras raras devem acompanhar a escolha do titular de Minas e Energia; segundo a imprensa, os ministros devem ser anunciados a partir do fim de novembro. Também merece atenção a criação dos novos instrumentos de fomento, que podem indicar como o governo pretende aplicar o mapeamento, o beneficiamento e a agregação de valor previstos no programa.
Investidores estrangeiros devem acompanhar a agenda comercial entre Brasil e Estados Unidos, que inclui tarifas, sobretaxa com base na Seção 301 e o recurso brasileiro à OMC. O desfecho dessa negociação pode afetar as condições de investimento no setor e justificar revisão periódica das premissas regulatórias em contratos de longo prazo.
A previsão de novos instrumentos de fomento para minerais críticos na Nova Indústria Brasil pode abrir espaço para projetos com etapa de beneficiamento no país. Vale avaliar essa alternativa internamente antes da posse, em 5 de janeiro de 2027.
Por Daniel Lledó / Notícias DataPolicy.
Créditos da imagem: Magnific.com/ArthurHidden.
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