Resultado do primeiro turno manteve governos em importantes polos de petróleo, gás e geração renovável, enquanto estados como Rio de Janeiro, Amazonas e Rio Grande do Norte ainda terão segundo turno.
As eleições estaduais realizadas no domingo (4) definiram o comando de parte dos estados com maior participação nas cadeias de petróleo, gás natural e geração de energia renovável. Ao todo, 20 governos foram decididos no primeiro turno, enquanto sete unidades da Federação ainda terão nova votação em 25 de outubro.
Em estados relevantes para a produção de petróleo e gás, houve diferentes configurações. São Paulo reelegeu Tarcísio de Freitas (Republicanos), enquanto Sergipe manteve Fábio Mitidieri (PSD). O estado nordestino está entre as áreas que concentram investimentos previstos para ampliar a produção de gás natural, incluindo o projeto Sergipe Águas Profundas.
O cenário permanece indefinido no Rio de Janeiro, principal estado produtor de petróleo e gás do país. A disputa pelo governo estadual ainda depende de definição relacionada à candidatura de Anthony Garotinho (Republicanos), situação que pode alterar a composição da disputa e levar a uma recontagem dos votos.
No Amapá, Dr. Furlan (PSD) foi eleito e substituirá Clécio Luís (União). O estado ganhou atenção adicional no setor após a Petrobras confirmar uma nova descoberta de petróleo na região da Margem Equatorial. O Amazonas, por sua vez, terá segundo turno entre Omar Aziz (PSD) e Professora Maria do Carmo (PL).
A geração renovável também aparece entre os setores diretamente afetados pela composição dos governos estaduais. Minas Gerais, que possui a maior potência instalada de geração solar fotovoltaica do país, elegeu Cleitinho Azevedo (Republicanos). Na região Nordeste, Bahia, Piauí e Ceará mantiveram seus atuais governadores, enquanto Pernambuco e Paraíba também definiram a continuidade de suas administrações. O Rio Grande do Norte ainda terá segundo turno.
O resultado ocorre em um momento de expansão da infraestrutura necessária para integrar a geração ao sistema elétrico. O Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica de 2026 prevê 45 novas obras até 2033, distribuídas por 17 estados. Entre os projetos está a instalação de um sistema de armazenamento por baterias no Acre, com investimento estimado em R$ 249 milhões.
No gás natural, decisões regulatórias também integram o cenário. A ANP aprovou uma proposta que reduz em R$ 11 bilhões a base de remuneração considerada no processo de revisão tarifária das transportadoras NTS e TAG. No Rio de Janeiro, governo estadual e Naturgy chegaram a um acordo para encerrar uma disputa judicial envolvendo a migração de consumidores industriais para o mercado livre de gás.
O que muda para o setor
A definição dos governos estaduais estabelece os responsáveis pela condução de políticas que se relacionam diretamente com licenciamento, infraestrutura, concessões, tributação e planejamento energético.
Para empresas de petróleo, gás e geração renovável, a composição estadual passa a ser acompanhada em conjunto com as decisões do governo federal e da regulação das agências. Os estados que ainda terão segundo turno permanecem, portanto, no radar dos setores que dependem de novos projetos de geração, exploração e infraestrutura energética.
O resultado também ocorre paralelamente à disputa presidencial entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), cujo segundo turno será realizado em 25 de outubro. As propostas dos dois candidatos incluem diferentes abordagens para energia, exploração de recursos naturais e transição energética.
Por P.C. / Notícias DataPolicy.
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