Monitoramento da transmissão de energia cada vez mais guiado por dados

Imagem meramente ilustrativa. Créditos da imagem: Canva/Iulian Catalin's Images.

Sensores, inteligência artificial, automação e análise de dados começam a transformar a forma como ativos são monitorados, falhas são identificadas e operações de manutenção são planejadas.

A digitalização está mudando a forma como grandes infraestruturas são monitoradas e operadas. No setor de transmissão de energia, sensores, inteligência artificial, sistemas automatizados e ferramentas de análise de dados estão permitindo acompanhar equipamentos e linhas de transmissão com maior precisão, identificar anomalias e antecipar problemas antes que eles resultem em falhas.

A mudança representa uma evolução de um modelo baseado principalmente em inspeções periódicas e manutenção preventiva para uma abordagem cada vez mais orientada pela condição real dos ativos. A Seção 4.2 das Regras de Transmissão da ANEEL, que trata dos Requisitos Mínimos de Manutenção, estabelece requisitos de manutenção preditiva e preventiva e determina que as transmissoras mantenham registros de laudos técnicos e das grandezas físicas monitoradas de equipamentos e linhas de transmissão.

Um exemplo dessa transformação está no Sistema de Gestão Geoespacializada da Transmissão (GGT) da ANEEL. A ferramenta utiliza processamento digital de imagens de satélite, informações fornecidas pelas transmissoras e inteligência analítica para acompanhar as condições das faixas de segurança das linhas de transmissão. O sistema permite identificar situações como queimadas e alterações na vegetação que podem representar riscos à infraestrutura.

A agência também vem utilizando inteligência artificial diretamente na fiscalização. O GGT emprega técnicas de deep learning para monitorar as manutenções realizadas pelas concessionárias em linhas localizadas em regiões com histórico de queimadas e incêndios florestais. A tecnologia amplia a capacidade de fiscalização sem depender exclusivamente de inspeções presenciais em uma infraestrutura que se estende por milhares de quilômetros.

Outro avanço ocorre dentro dos próprios sistemas de operação. O ONS mantém uma agenda de desenvolvimento tecnológico que inclui IA e dados, hiperautomação, infraestrutura digital, segurança cibernética e tecnologia aplicada à operação. A iniciativa onstec foi criada justamente para aproximar tecnologia e negócio, ampliando o uso de dados e informações na operação do sistema.

Entre as aplicações estão sistemas capazes de processar grandes volumes de informações em tempo real. Em 2024, por exemplo, o ONS implantou o openWAMS, baseado em sincrofasores, permitindo obter medições precisas de parâmetros elétricos como tensão e corrente. Também passou a utilizar inteligência artificial para auxiliar equipes da sala de controle na consulta a procedimentos técnicos.

A tendência é que essa infraestrutura produza uma quantidade cada vez maior de dados. O desafio tecnológico passa, portanto, de simplesmente coletar informações para conseguir transformá-las em decisões. Sensores podem indicar uma alteração de temperatura, vibração ou comportamento de um equipamento; algoritmos podem identificar padrões anormais; sistemas automatizados podem priorizar uma inspeção; e equipes de manutenção podem atuar antes que o problema evolua para uma falha.

Esse movimento também abre espaço para tecnologias mais sofisticadas. A ANEEL identifica como áreas estratégicas para pesquisa e desenvolvimento aplicações de aprendizado de máquina, inteligência artificial, realidade virtual, realidade aumentada, blockchain, sensores e sistemas de TI, além de tecnologias voltadas à detecção de falhas e ao restabelecimento dos sistemas.

A digitalização, portanto, não significa apenas substituir processos analógicos por sistemas eletrônicos. Ela altera a própria lógica de gestão da infraestrutura: quanto mais dados são produzidos e interpretados, maior a possibilidade de prever comportamentos, direcionar recursos e automatizar decisões.

Impactos para o setor

Para o setor de tecnologia, a transformação cria uma demanda que vai além da instalação de sensores. O mercado envolve inteligência artificial, IoT industrial, computação em nuvem e de borda, análise de dados, visão computacional, sensoriamento remoto, automação, software de gestão de ativos e cibersegurança.

Também aumenta a importância da integração entre diferentes camadas tecnológicas. Dados produzidos por sensores precisam chegar aos sistemas de operação; esses sistemas precisam conversar com plataformas analíticas; e os resultados precisam ser transformados em informações utilizáveis pelas equipes técnicas.

A tendência aponta, assim, para uma infraestrutura cada vez mais conectada, automatizada e orientada por dados. O diferencial tecnológico deixa de estar apenas na capacidade de monitorar um ativo e passa a ser a capacidade de interpretar os dados, prever seu comportamento e transformar essa informação em uma ação operacional.

Por P.C /Notícias DataPolicy.
Créditos da imagem: Canva/Iulian Catalin’s Images.

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