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Regime de preços da CMED e o custo invisível do atraso farmacêutico no Brasil
Regime de preços da CMED e o custo invisível do atraso farmacêutico no Brasil
É recorrente entre fabricantes globais o relato de que o Brasil figura entre os últimos mercados relevantes a receber novos produtos farmacêuticos, não por barreiras sanitárias, mas por incerteza de retorno dado o regime de precificação da CMED. Esse atraso não se explica pelos prazos de registro da Anvisa, que reduziu consistentemente seus tempos de análise para produtos prioritários. A variável determinante é outra: o retorno esperado dado o teto de preço que a Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos imporá ao produto. (...)
O nó intermodal: a urgência de uma coordenação regulatória entre ANTT e ANTAQ
autor convidado
O nó intermodal: a urgência de uma coordenação regulatória entre ANTT e ANTAQ
O Brasil é uma das maiores economias agrícolas e industriais do mundo e depende, estruturalmente, de cadeias de transporte integradas para conectar a produção ao mercado. Escoar a safra do Centro-Oeste pelos portos do Arco Norte, ligar terminais portuários a corredores ferroviários do interior, integrar a cabotagem às redes rodoviárias litorâneas: essas operações pressupõem que os diferentes modais funcionem como elos articulados de um sistema único. A regulação brasileira nunca consolidou essa lógica na prática. (...)
O orçamento das agências reguladoras como variável de risco para investimentos em infraestrutura
O orçamento das agências reguladoras como variável de risco para investimentos em infraestrutura
Há uma tensão legítima no centro do debate sobre o orçamento das agências reguladoras. De um lado, a LRF exige que o executivo disponha de mecanismos de ajuste quando as receitas frustram as projeções. De outro, agências reguladoras ocupam uma posição institucional específica: seus orçamentos sustentam contratos de concessão de longo prazo cujas condições de risco são sensíveis à capacidade de fiscalização do regulador. (...)
Financiamento climático e bioeconomia: mecanismos nacionais e internacionais impulsionam projetos de baixo carbono
Financiamento climático e bioeconomia: mecanismos nacionais e internacionais impulsionam projetos de baixo carbono
O financiamento climático e a bioeconomia vêm ganhando espaço nas agendas de governos, instituições financeiras e empresas em todo o mundo. O aumento da demanda por investimentos sustentáveis, aliado aos compromissos assumidos por diversos países para redução das emissões de gases de efeito estufa, tem impulsionado a criação de mecanismos voltados ao financiamento de projetos de baixo carbono, conservação ambiental e desenvolvimento sustentável. (...)
O curtailment revela por que a eólica offshore não pode esperar
O curtailment revela por que a eólica offshore não pode esperar
Por que avançar na regulamentação da eólica offshore em um momento de excesso de geração? A questão foi colocada na audiência pública da Comissão de Serviços e Infraestrutura do Senado Federal realizada em 16 de junho de 2026, onde dados apresentados por Elbia Aparecida Silva Gannoum, presidente da Associação Brasileira de Energia Eólica, indicam cortes de geração que chegam a 45% da capacidade de produção de investidores em eólica onshore no Brasil. A resposta dos participantes foi direta: o curtailment é um desequilíbrio de curto (...)
ENSCEIS: A lei que transforma o SUS em instrumento de política industrial
ENSCEIS: A lei que transforma o SUS em instrumento de política industrial
O Projeto de Lei 2583/2020 é, na prática, a mais abrangente reforma do marco regulatório da saúde no Brasil em décadas. Após seis anos de tramitação, foi aprovado na Câmara dos Deputados com 352 votos a favor e 63 contrários — margem que traduz apoio político amplo e transversal. O texto está agora no Senado Federal, com urgência aprovada e relator designado para a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE), instância que precede o Plenário, com alta probabilidade de sanção presidencial ainda em 2026. (...)
Acordo Setorial de Embalagens: uma década de avanços reais e o próximo degrau regulatório
Acordo Setorial de Embalagens: uma década de avanços reais e o próximo degrau regulatório
Em novembro de 2015, vinte associações setoriais representando fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes de embalagens assinaram com o Ministério do Meio Ambiente o Acordo Setorial para Implantação do Sistema de Logística Reversa de Embalagens em Geral. O instrumento estabeleceu metas de recuperação da fração seca dos resíduos sólidos urbanos com prazo definido e responsabilidades distribuídas ao longo de toda a cadeia produtiva. Uma década depois, o que os registros do Sistema Nacional de Informações sobre a Gestão dos Resíduos Sólidos (Sinir) documentam não é um (...)
O atropelo da democracia: o regime de urgência que virou regra, corroendo o Parlamento e afastando a sociedade
autor convidado
O atropelo da democracia: o regime de urgência que virou regra, corroendo o Parlamento e afastando a sociedade
O processo legislativo brasileiro, desenhado pela Constituição de 1988, fundamenta-se na premissa da deliberação cuidadosa. O rito ordinário — que prevê a passagem das proposições pelas comissões permanentes, instâncias técnicas onde especialistas e parlamentares dissecam o mérito e a legalidade das matérias — é a garantia de que a lei não será apenas produto de conveniências momentâneas, mas uma construção fruto de debate, contraditório e amadurecimento coletivo. (...)
Quando a barragem vira pauta de conselho: governança, responsabilidade e risco de portfólio no setor hidrelétrico
Quando a barragem vira pauta de conselho: governança, responsabilidade e risco de portfólio no setor hidrelétrico
A regulação brasileira de segurança de barragens fez uma escolha que o setor elétrico ainda está processando: vinculou o titular do cargo de maior hierarquia da empresa operadora à conformidade dos documentos de segurança. O representante do empreendedor, definido pela norma como a pessoa física no topo da estrutura da empresa, é quem deve assinar com ciência os planos de segurança, os planos de ação de emergência e os relatórios de inspeção. Não se trata de formalidade delegável à área técnica. É uma vinculação direta (...)
Regulação e biotecnologia no agro brasileiro: entre a inovação e a competitividade global
Regulação e biotecnologia no agro brasileiro: entre a inovação e a competitividade global
O agronegócio brasileiro ocupa hoje uma posição de destaque na produção mundial de alimentos, sustentado em grande parte pelo avanço da biotecnologia, que inclui sementes geneticamente modificadas, bioinsumos e novas técnicas de melhoramento genético. Nesse contexto, o ambiente regulatório exerce influência direta sobre a competitividade do setor, ao definir tanto o ritmo de inovação quanto as condições de segurança ambiental e sanitária. (...)
A descarbonização logística do agronegócio é uma agenda de infraestrutura, não de tecnologia veicular
A descarbonização logística do agronegócio é uma agenda de infraestrutura, não de tecnologia veicular
O transporte responde por 51% das emissões decorrentes dos usos de energia no Brasil, o equivalente a 23,2% do total de gases de efeito estufa emitidos pelo país. Dentro desse universo, o modo rodoviário concentra a parcela dominante das emissões do transporte de cargas, em razão da dependência estrutural dos caminhões na matriz logística nacional. (...)
Soberania à moda eleitoral: quando o Pix vira bandeira – e quando ela precisa virar política de Estado
autor convidado
Soberania à moda eleitoral: quando o Pix vira bandeira – e quando ela precisa virar política de Estado

A constitucionalização do Pix e a blindagem jurídica do Banco Central revelam um país que sabe proteger o que construiu, mas ainda não demonstrou estratégia para construir o que o mundo exigirá nas próximas décadas. Há algo de sintomático no fato de que o símbolo mais poderoso da corrida ao Palácio do Planalto em 2026 […]

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